07 setembro, 2004

Não tenho falado aqui como gostaria de estar falando - ou escrevendo , como queira.... mas me perdi, não encontro as palavras e tudo que eu realmente gostaria de dizer nesse momento soaria muito mais como reclamação da vida do que qualquer outra coisa... e nem sou de nhémnhémnhém.

A verdade é que me dei um tempo, de tão crítica fase que estou/estava passando. Realmente voltei a fazer terapia, o que na veradde, ajuda muito, mas sou imediatista, cobro demais, não gosto de ser contrariada, e terapia mexe com tudo isso - o que acaba sendo uma coisa de loooonnnnngo prazo. No entanto, vc passa a enxergar o não visto, o que a raiva ou a depressão não deixaram vc enxergar naquele instante ali. Serve assim, como eu diria?.... serve como um colírio, sabe? Tá tudo embaçado? A terapia te ajuda a enxergar melhor....

Como geminiana que sou, não é tempo todo que estou ranzinza, triste, chorona... brinco, sorrio, na maioria das vezes até consigo enganar... mas o negócio é de uma proporção faraônica, toma conta de tudo no instante seguinte e a cabeça não pára nem um instante sequer. Por isso, a meditação também ajuda... sou iniciante demais nessa parte, pouco sei e gostaria de poder conseguir voltar pra Yoga... mas como tive que optar, optei pela terapia e vou fazendo o que sei (pouquíssimo) na meditação... mas, por menos que eu possa saber - e é um lance gigantesco - ajuda também e muito....

...


Demora pra cair a unidade, mas estava me dedicando demais aos outros e esquecendo de mim... fazendo demais por todo mundo e me definhando por dentro.... depois, mais tarde, depois eu vejo isso: essas eram as palavras que saíam da minha boca todo tempo.... até que um dia você começa a se trancar no banheiro pra chorar porque teu chefe pediu pra vc ir pra SP às 17h resolver uma pendência ou porque tua filha te cobra a ausência tanta ou porque vc pegou uma blusa no armário e veio uma avalanche de blusas pro chão....

Daí, no meio das lágrimas, vc fecha os olhos e sente uma puta saudades de vc... respira fundo, racionaliza, lava o rosto, sai do banheiro, vira pro chefe e fala: "Não posso ir pra SP agora.... se não não conseguirei jantar novamente com as minhas filhas.... sinto muito, mas não vou." E por mais que vc vire as costas e vá embora pra casa deixando teu chefe com cara de tacho, por mais que vc tenha um puta medo das consequências que isso pode acarretar, por mais que esse mesmo medo gele teu sangue enquanto vc desce pelo elevador, vc vai jantar com suas filhas, porque elas são realmente tudo o que vc têm de melhor.

É lógico que não é só isso. É lógico que muita coisa aconteceu pra eu tomar certas decisões (definitivas) na minha vida. É claro que não é só uma desobediência ao chefe que me levou à terapia, que me fez ter saudades de mim, que me fez chorar tanto.... é sim, na verdade, uma porrada de coisas juntas, e que nem têm tanto nexo... mas dependurei-me num fiozinho e quase despenquei no chão...

... só que vou voltar. Porque não, não sou isso que sou hoje. Quero voltar a olhar pra trás com espírito de perdão, olhar pra frente com esperança, pra baixo com compaixão e pra cima com gratidão.

Eu nunca fui santa, já fiz muita coisa errada nessa vida. Posso até estar pagando por alguma coisa, sei lá. Mas me entregar, me render... ah, isso eu não vou não.

Acho que é isso aí.
Chega de ontens.
Quero amanhãs.