19 abril, 2006

Tentaram desanimá-lo, lembraram-no que ele tem quase 70 anos, falaram do problema na vista, da operação da córnea, melhor parar, melhor isso, melhor ir pro bingo, andar de ônibus, desista de dirigir.

E eu, no meu cantinho, vi tudo caladinha. Numa noite, liguei pra ele e disse: Papai, o senhor quer fazer? Vai e faz! Não dê ouvidos à mamãe. Eu sei que o senhor consegue.

Daí, ignorando as brigas de reprovação, ele foi lá, se matriculou, fez o cursinho obrigatório, tudo muito na dele. Agora à pouco entrou aqui, com um certificado na mão, todo orgulhoso e disse:

- Ó, fia. Só errei dois! - e disparou a falar da 'tecnologia', que a prova é num telão, que as respostas são nos cliques, que ele teve medo, (...)

Quer saber?
Amo meu pai.
Amo!